quinta-feira, janeiro 24, 2008

A Cadeira de Baloiço


Cena 1
Exterior / Noite – Coimbra / Casa

Estamos em meados de Maio, o tempo é ameno mas incerto. É noite de lua nova, deixando o céu aberto e extremamente estrelado. A cidade de Coimbra parece uma cidade fantasma, não se vê, nem ouve ninguém. Apenas a suave brisa nocturna, e o camião da recolha do lixo que passa na Av. Dias da Silva, todas as noite aquela hora, com um barulho refilão de um motor velho e cansado. Como sempre o camião pára ao lado da bela sebe verde e bem tratada que contorna o terreno da Quinta de São Jerónimo. Da rua pouco se vê a casa, apesar de o portão ser feito de varas de ferro, toda a casa é tapada por um vasto terreno repleto e árvores. Mas, para lá dessas árvores, há um bonito relvado percorrido pelas mais belas flores e sons da natureza que contorna a casa. A casa da alegria, é uma vivenda de dois andares de planta quadrada e está pintada segundo a tradição portuguesa: caiada, com portadas verdes e rodapé amarelo-torrado. A casa é circundada por um alpendre e a fachada poente é percorrida por varandas cheias de plantas bem arranjadas.

Cena 2
Interior / Noite – Quarto, escadaria e hall

No quarto, Dona Teresa dorme sossegada, virada para o lado da cama onde o seu falecido marido costumava dormir. O quarto é grande, bem decorado com a cama de dossel ao meio, à direita um roupeiro muito alto de madeira escura com duas portas e três gavetas. Tanto as mesas-de-cabeceira que ladeiam a cama, como a cómoda em frente, condizem perfeitamente com o roupeiro. E do lado esquerdo do quarto, ao centro da parede, uma enorme janela com uma varanda com bonitas plantas e duas cadeiras. Nisto, Dona Teresa acorda sobressaltada com a bela melodia da harmónica do seu falecido marido, desce as escadas rangentes até ao hall e segue até ao alpendre.

Cena 1 a)
Exterior / Madrugada – Alpendre

Os gatos vadios saltam a sebe que rodeia a casa e correm pelo relvado sob o céu estrelado. A noite é meigamente embalada pela pequena brisa que percorre o ar e agita as folhas das árvores provocando um barulhinho aconchegante. Dona Teresa, nas suas vestes de dormir, abre a porta e ao sentir aquele ar fresco da noite aconchega-se nas suas leves e brancas roupas, que brincam com o vento em torno das suas pernas nuas. Cruza os braços de modo a aquecer-se e senta-se no banco ao lado da cadeira de baloiço vazia, que, empurrada pelo vento, baloiça suavemente provocando um “toque – toque” na madeira. Dona Teresa olha em frente com um olhar vazio, mas a sua expressão é de calma e serenidade e até um pouco de felicidade. Dona Teresa sente-se bem ali, preenchida, acompanhada. Respira calmamente, e do mesmo modo se vira para a cadeira de baloiço que se encontra à sua esquerda.

Dona Teresa
(vira-se para a cadeira de baloiço e enrola-se na manta que está pousada ao seu lado)
Não consegues dormir, meu querido?

Dona Teresa
(agora, outra vez voltada para o terreno que rodeia a sua casa)
Está uma noite muito bonita. A lua já vai baixa, já deve ser tarde.

Dona Teresa
(apontando para um gata que percorre o relvado de um lado ao outro)
Olha! Estás a ver aquela gatinha? Já teve filhotes outra vez! Pariu na passada Terça-feira, dez criaturinhas adoráveis. Quatro fêmeas e seis machos.

O sol já começara a nascer quando Dona Teresa acaba por adormecer ali mesmo, na companhia da memória do seu falecido marido.

Cena 2 a)
Interior / Manhã – Hall

O hall é a zona mais despida da casa. Tem um tapete de Arraiolos no chão e do lado esquerdo da porta uma escrivaninha e do lado direito um bengaleiro. Em frente, à esquerda uma escadaria e por debaixo dela, em frente à porta principal, a entrada para a sala. Finalmente, do lado direito à porta de entrada, a cozinha, de onde vem uma barulheira insuportável. Ouve-se assobio da chaleira, as torradas a saltarem, a loiça e os talheres a tocarem uns nos outros e na bancada. Depois o tremelique das loiças e dos talheres sobre o tabuleiro carregado pela Dona Teresa, senhora de idade avançada e como tal já com falta de força.
Mas, todas as manhãs Dona Teresa faz o mesmo. Atravessa o hall de entrada em direcção à porta, transportando um tabuleiro com duas chávenas de chá, açúcar, leite, duas torradas com doce e o jornal.

Cena 1 b)
Exterior / Fim da manhã – Alpendre

O sol vai subindo e as sombras diminuindo. Está um dia de verão quente e sem uma única nuvem. A luz é intensa e faz com que as flores desabrochem e se voltem para o sol. As folhas das árvores assim como a relva, mais verdes que nunca, brilham loucamente. As paredes caiadas da casa reflectem a luz do sol, fazendo a casa parecer maior e mais bonita, de tão brilhante que fica. O ar é perfumado e ligeiro, ecoa o grasnar dos patos que nadam no lago ligeiramente tapado pelas árvores do lado esquerdo do casarão. O alpendre é todo feito de madeira, o chão é percorrido por tacos bem encerados. Sobre este estão duas mesinhas de café, uma em cada lado da porta de entrada. Do lado esquerdo, essa mesinha é rodeada por um banco encostado à parede e mais à esquerda uma cadeira de baloiço. Em cima dessa mesa de café está, desde sempre, a caixinha do tabaco do senhor Manuel, o seu cachimbo, os seus fósforos e tantas, dos mas diferentes feitios e tamanhos, chávenas de café e chá e algumas canecas. Debaixo da mesa, estão dezenas de jornais, uns mais recentes outros mais antigos, abandonados e intocados deixados por Dona Teresa presa na própria senilidade. Mais uma vez, Dona Teresa empurra a porta que tinha deixado encostada e passa fazendo um último esforço para aguentar com o tabuleiro. O espaço para pousar-lo em cima da mesinha de café é nulo ou inexistente, de modo que Dona Teresa decide pousado em cima do banco e por só a loiça em cima da mesa. Dona Teresa toma ali o seu pequeno almoço pousa o jornal num novo monte debaixo da mesa, sorri com suspiro de “tarefa cumprida” e fica ali presa em recordações com um olhar vago e perdido entre flores, árvores e sebes.

Cena 1 c)
Exterior / Início da manhã – Alpendre

O Inverno chega e com ele traz o frio. Estamos em Janeiro, as belas árvores de outrora estão agora nuas, fracas e sem graça. A relva luta para permanecer verde e saudável, mas é uma luta ingrata e invencível. Apenas a sebe permanece imaculada aos estrados daquela dura estação. A casa está coberta um espesso nevoeiro que não deixa passar nem um raio de luz. Parece agora bastante mais velha e desgastada. O branco das paredes parece cinzento e o verde e o amarelo da decoração pouco ou nada se destacam pois também estes se tornaram em tons acinzentados. A chuva é grossa e abafa os outros sons da natureza. Raramente pára e como seu companheiro de festas vem sempre o vento. Um vento forte que mexe com tudo e todos. As portadas batem com força, as plantas nas varandas lutam todos os dias pela sua sobrevivência, as poucas folhas que ainda restam nas árvores são arrancadas à força como todas as outras. No alpendre a cadeira de baloiço baloiça mais rápido que nunca, e as páginas dos jornais debaixo da mesa de café abrem e fecham batendo umas nas outras. Como todas as manhãs Dona Teresa empurra a porta com o tabuleiro a tremer, pousa-o no banco por falta de espaço da mesa. Onde, pousa a chávena do seu marido e a caneca de leite e tome o seu pequeno-almoço. Os guardanapos voam naquele vendaval mas Dona Teresa não reage enrosca-se na manta e continua a tomar o seu pequeno-almoço, perdida em pensamentos e recordações. Nisto, entra um carro pelo portão que chia mais alto que o ruído da chuva. Dona Teresa lentamente olha para a entrada dos carros. Um carro preto e pequeno vai percorrendo a estrada de terra toda enlameada. O barulho do motor e dos limpa vidros mal se ouvem debaixo de tanta chuva. O carro pára, um guarda-chuva vermelho escuro abre-se e de dentro do carro sai uma senhora magra e muito bonita. A senhora corre chapinhando na lama, até ao alpendre onde cumprimenta Dona Teresa. Depois abraça-a com muito carinho. Ajuda-a a levantar-se e leva-a para dentro.

Cena 1 d)
Exterior / Antes de almoço – Alpendre

Mãe e filha saem de casa. A Beatriz carrega três malas, cada uma maior que a outra e Dona Teresa leva apenas a sua necessaire, a sua carteira e o guarda-chuva. As duas, bem agasalhadas, dirigem-se para o carro e guardam as malas apressadamente. Beatriz ajuda a mãe a entrar no carro e entra também. O carro começa a andar e mais uma vez o portão abre e fecha chiando muito alto. O chiar do portão é como um gemido, uma tristeza enorme percorre o terreno, a chuva permanece, o céu fica cada vez mais escuro e as árvores cada vez mais fracas e nuas. As portadas batem e as plantas das varandas morrem pouco a pouco. No alpendre, os jornais começam a voar, a loiça a dançar e a cadeira de baloiço a baloiçar num frenesim.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Then share with me your secrets and all...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

décima oitava história
Vou falar-vos de uma menina. Esta menina, possuía uma característica muito particular, pois não era que não conseguia amar.
Na escola aprendera como funcionava o corpo humano por dentro, mas esta menina era peculiar, pois no sítio do coração tinha um buracão. E no sitio lógico, um cérebro em forma de coração, feito de entranhas entrelaçadas como cordão.
Desenganem-se aqueles que pensam que tal rapariga tinha noção de sua diferença, porque esta rapariga tão disforme vivera sempre na escuridão.

Certo dia, a criatura conhece um rapaz, aproxima-se dele na ironia de fugir da solidão. Mesmo sem coração, algo diz à rapariga, que aquela amizade vale ouro, e do mesmo modo, reluzem os seus olhos na presença do rapaz. Esta amizade vai crescendo, cresce em conversas sussurradas debaixo de um lençol de estrelas, cresce em segredos confessados nos becos de um vila perdida no tempo e no espaço. Ficaram próximos, muito próximos.
Tão próximos que toda a esta história criou um grande embaraço no seu cérebro. O seu cérebro-coração, palpitava ferozmente, atordoado pelas próprias cordas que o formavam. Isto era de tal forma violento que a rapariga ficava totalmente abalada e acabava por se afastar do rapaz.
Nisto, o tempo foi passando, por vezes mais próximos por outras menos próximos. De modo, que aos poucos a rapariga foi compreendendo que talvez não fosse igual a todas as pessoas, talvez tivesse algo a preencher, algo vazio, que não conseguia compreender.

Finalmente a rapariga, aventura-se então em busca dessa coisa que lhe faltava, sentia que o rapaz estava de alguma forma metido na história, e estava fora de questão que ficasse fora da sua vida. Aproxima-se dele, e fica contente com a sua opção, algo por dentro lhe dizia que estava perto do coração. Os nós entrelaçados da sua cabeça aos poucos desfaziam-se e com grande suavidade iam enchendo o buraco no seu coração.
Mas, a rapariga mal habituada a não saber amar, agora que para lá caminhava, não sabe como amar. Em êxtase, de flores, borboletas e cores, a criatura, já menos disforme, acaba por se encontrar numa encruzilhada do coração, dividida entre sentimento e emoção. Deixou-se levar pela atracção, trocou o rapaz pelo fogo de artifício, brilhante e deslumbrante, mas como todos sabem efémero.
Tal qual um boomerang, todo o cordel lindamente arranjado e encaixado no buraco no peito da menina, subiu velozmente ao cérebro da mesma, entrelaçando-a e envolvendo-lhe todos os pensamentos num emaranhado tremendo.

Depois desta confusão, menina voltou para o rapaz, mas o seu buraco nunca ficou tão cheio como outrora. E mais uma vez, menina despassarada, fica entrelaçada noutro fogo de artificio, mas este brilha e deslumbra e enfeitiça a menina, por pouco tempo, porque mal ela se aproxima, vê que as sua cores são feias ao perto, e as formas não a atraem. E com esta aventura, a menina perde todo o resto de cordel que lhe enchia o coração, e destroçada, olha para trás, e vê o cordel como que lhe indicando o caminho, até ao outro rapaz. Segue o cordel, mas este acaba onde os dois estiveram juntos da última vez. O rapaz já lá não estava, desta vez, não esperara por ela.

A rapariga triste e amargurada, permanecera ainda no fim do cordel, ficara imóvel como que esperando por ele. Seu buraco vazio no peito sufocava-a de dor, e parecia que ficava cada vez maior. A rapariga chorava pelo seu amigo, pois quando as pessoas não tem coração e não sabem o que é amar, conhecem de outro modo amizade, dando extrema importância, e percebendo e ela sim é a base de todos os outros sentimentos. E ao aperceber-se disto, sorriu, e tapou com as suas mãos o buraco que tinha no peito, que milagrosamente este preencheu-se e encheu-se de alegria e esperança e certeza que aquele rapaz que ela deixara ali, era importante para si.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Spider-Pig, Spider-Pig. Does whatever a Spider-Pig does. Can he swing from a web? No he can't, cause he's a pig. Look out! He is the Spider-Pig!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Vôou, sumiu pelo mundo.

Quando tudo o que damos por certo se desmorona a nossos pés, e toda a nossa vida organizada nos envolve de tal maneira que ficamos presos na sua teia. Quando a vida nos prega uma partida e nos vira de cabeça para baixo. Talvez para vermos os problemas de outra prespectiva ou até para nos ridicularizar perante a nossa alma que continua imune e sempre no sitio. Quando nos voltamos de cabeça para cima, pairamos perdidos, tontos como se tudo estivesse desarrumado. Aí temos apenas duas hipoteses arrumar, ou mudar e comçear outra teia mais ou lado.
Acho que construi uma nova, de certa forma apoiada na velha, pois precisava de técnicas usadas nesta para construir uma nova. Para esta teia comprei fio mais forte e certifiquei-me que nao havia fio solto ou froucho. Mas quando me vi tão segura nesta nova teia veio uma lufada de ar quente vindo do sul, que abanou abanou e abalou a minha teia. Precisei de reforços rápidos e eficázes. E ao que parecia, eles estavam mesmo em baixo, peguei num fio solto da teia anterior e fortifiquei um dos fios na teia posterior. Este fio velho e viciado, era muito mal comportado e nao se queria manter no sitio, puxava e repuxava, de vez em quando lá acalmava mas nunca se conformava.
Foi aí então que decidi retirar o fio velho e tingir a teia das cores do arco iris, depois puxei uma pontinha e comecei a enrolar-me em todo o fio, e no fim tinha-o tao entrelaçado em mim que se foi entranhado chegando mesmo, a proteger-me, de certa forma. Aí tornei-me nómada, independente do local da teia, porque agora era eu propria a minha teia.

Uma mulher cigana.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Décima sétima história

Vou falar-vos de um bairro, no coração de Lisboa que muitos desconhecem. É um bairro pacato, como tantos outros mas que pela calada, como já Gil Vicente fazia, criticava a sociedade. Ora então este belo bairro, que emoldura a Alameda, chama-se Bairro dos Actores. Muitos podem pensar que seu nome vem das ruas que numa homenagem a actores famoso têm os seus nomes. Mas desenganem-se. Eu, Sr. João Cardoso, conheço a magia deste bairro. Ele critica os actores que aqui vivem. Não os actores profissionais, os actores natos. Pessoas que passam por nós no dia-a-dia e nem ligamos, mas que no fundo são grandes detentoras de poder de persuasão. Actores que representam amizades como ninguém. Actores que representam grandes amores por grandes fortunas. Que representam grande inteligência por grandes cargos em grandes empresas. Enfim, actores como os que há no mundo inteiro.
Kika, acordara naquele dia igual aos outros, no seu apartamento T2 na rua actor Isidoro. Tinha prometido a si mesmo que ia mudar de vida. E decidiu que ia ser naquele dia. Pegou no dinheiro que havera lucrado na ultima noite e saiu. Entrou no metro da alameda e saiu nos restauradores. No fim da tarde já tinha duas toelletes chiques. A primeira parte do seu plano estava acabada, só faltava infiltrar-se "naquela sociedade". Uma semana depois estava noiva do filho do embaixador e em dois anos rica. Mas embora trata-se a vida e o dinheiro por tu; ao amor nem lhe falava. Tinha medo do amor.
Cátia dos Santos dos santos, era também uma actriz nata, embora muito nova já dominava bem este mundo. Cátia em casa e Carolina na escola, eram duas pessoas completamente diferentes. Cátia acordava todos os dias bem cedo, fazia o primeiro turno no mercado, ajudava a mãe quando podia. Depois, ia a correr para casa tomava banho e tirava de debaixo da cama a sua caixinha dos tesouros. Lá dentro tinha roupas que roubava dos estendais baixos ao vir para casa. Já vestida era Carolina Telles, uma menina de boas famílias que estudava pelo primeiro ano em Lisboa. Tudo isto era mentira, Cátia já andava naquela escola há quatro anos, mas sem aquelas roupas parecia que era só mais uma sombra que passava.

quinta-feira, outubro 04, 2007

(visto que o vencedor é o concorrente A, vamos la trabalhar)

décima sexta história

No cemitério, Gaspar corria como o vento. Colina a cima, colina a baixo. Não se ouvia barulho algum, apenas o barulho das suas passadas e de vez em quando o ruído do seu pé pisando as folhas secas que o Outono roubava as árvores.
A Primavera já ia longe e com ela a sua felicidade. Daí em diante só tristeza e saudade. Avó Laura partira em Abril, Gaspar não percebera bem porquê. Esta incompreensão touxera-lhe primeiro a impressão de que nada daquilo era real. Morte. Fim. Saudade. Soavam-lhe como palavras soltas em luto. Depois, o tomar de consciência, o vazio. A tamanha tristeza que se formara mais tarde em fúria e revolta. Nisto chega e passa o Verão, mais calmo, Gaspar, estagna no cais de Setembro, onde navega num turbilhão de emoções contrastantes. Nos momentos de enorme tristeza sentava-se junto à janela a olhar as marés vivas esperando pela arrasadora maré alta.
Até que um dia, com o cair da primeira folha, Gaspar limpa as lágrimas e uma nova esperança percorre-lhe o corpo deixando um sorriso. Sua mãe, Esperanza, farta de ver o seu filho em pranto diz-lhe que Laura, voava sobre o Alto de São João no vento de Outono.
No cemitério, Gaspar corria como o vento. Colina a cima, colina a baixo. Não se ouvia barulho algum, apenas o barulho das suas passadas e de vez em quando o ruído do seu pé pisando as folhas secas que o Outono roubava as árvores.

terça-feira, outubro 02, 2007

"Se a minha casa fosse feita de chocolate eu seria uma sem-abrigo."
anónima

sábado, setembro 15, 2007

Menina e moça
Segura de si
Viu-se sozinha
Chorando sem fim

Caiu do alto
Julgando escolha certa
Não deu o salto
Para a porta entreaberta

Outrora cabeça erguida
Em tempos confiante
Estava agora perdida
Com medo do avante

Quem diria
Que menina tão fogosa
Se tornasse hoje em dia
Menina tão receosa?


"It's not always rainbows and butterflies"

domingo, setembro 02, 2007

Voava borboleta colorida, voava por um campo, pelo verde. Voava livremente sem medo, dona de si. Dona do mundo. Era pequena, era forte, era bonita. A natureza admirava-a, a natureza sustentava-a. Borboleta feliz entrega-se ao amor, conhece o coração. Nisto, num dia de Verão, surge um pequeno ser pequeno, pacato mas muito promissor. Pequeno bicho, rasteja para se deslocar, rasteja para comer, rasteja para viver. Mas lagarta desenrascada, farta de ser arrastada decide mudar. Cria um casulo, sem cor, imóvel, estático. Enquanto aquela borboleta colorida continua sua viagem, deixando este espectáculo para trás. Pois o casulo engana, e a borboleta, como muitos equivocada, julgou mal a sua aparência. Este casulo pouco promissor, vive, ama, e sente. transforma, evolui, cresce! Este casulo é energia. Do casulo sai uma nova borboleta mais bela que a anterior, mais viva que a anterior, maior que a anterior. Melhor que a anterior. Nova borboleta livre. Voa encantando qualquer um, com o sopro da mudança, com o vento da bonança.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Era um mundo em bolinhas de sabão, um mundo reflectido, um mundo distorcido. O nosso mundo, o mundo que dependia de nós, do nosso sopro. As bolinhas de sabão pairavam à dez dias no ar com pouca alteração, flutuavam, até que POC. Começaram a rebentar e o meu mundo a desmoronar.

terça-feira, julho 17, 2007






INESquecível
Fotografia por: Filipe Paes

sábado, julho 14, 2007

Retalhos de Férias - porto santo

"Falávamos do tempo, mas com prazer, não porque não tínhamos outra coisa para falar." Eram conversas muito interessantes. Mas era o tempo que não queria nada connosco, ficou na dele, sempre com aquela cara feita de nuvens escuras todas enrugadas como se estivesses tão furioso que todos os músculos da sua cara se contraíssem formando grandes e robustas rugas. Mas mesmo sem o tempo, os dias eram belos. Aproveitando o refugio do sol, brincada desenfreadamente ginasticava para aqui, saltos para ali, cambalhotas para aqui. Sem grande escolha o areal acabava por entrar na brincadeira criando mini falésias de 20 centímetros de areia que à mínima pressão desmoronavam-se, criando um efeito muito bonito.
Entretanto lá ia havendo umas abertas e as nuvens escuras eram empurradas pelo vento, que esteve sempre presente, ficavam então, apenas umas pequenas nuvens, estas brancas, que brincavam ao faz de conta com a relva que olhava para cima sempre a tentar adivinhar os animais, flores, ou mesmo coisas que as brincalhonas das nuvens "encarnavam". As nuvens eram bastante brincalhões, aliás, ninguém diria que eras era feitas de paz e tranquilidade, purificando as almas perdidas.
Entre esta animação toda ainda havia os lagartos, os cactos e as rochas. Que nunca se separavam. A rocha era como os pés, a estabilidade. Os cactos, o corpo que se elevava e protegia a alma de qualquer perigo exterior. Esta alma, era por fim o lagarto, onde um pequeno coração palpitava abundantemente. pum pum. pum pum. pum pum. pum pum.

segunda-feira, junho 25, 2007

coimbra porto
Tudo começa quando aquele impulso te empurra bruscamente para trás. depois de encontrares o conforto, e sentires o sol a brincar contigo do cantinho da janela, é aí que percebes que tens um amigo com quem brincar nesta viagem. Fazem corridas, apenas o vês naquele cantinho na janela, para que nunca mais o alcanças, por vezes, até perdes o incentivo e a esperança de o voltares a sentir queimar a tua pele. aí outros amigos surpreendem-te, as nuvens: que assumem diferentes vidas deliciando-te. E nisto e numa curva, o sol regressa encadeando-nos de alegria.

segunda-feira, junho 04, 2007

décima quinta historia
"Sobre o josefino, não há muito a escrever. É um home'simples.
Enquanto mestre de obras, põe os ucranianos a trabalhar e bebe umas minis (de coca-cola). Trabalha das 6h as 18h e dorme a sesta quando o superior não anda por lá a cheirar, esta é a sua segunda paixão, a seguir ao benfica.
Os seus hobbies são ver o Glorioso , na tasca ao fundo da Rua dos Baldaques com a malta das obras e jogar à bola com os putos.
Tem família, dois filhos, uma catraia e um moçoilo. O filho chama-se Eusébio mas parece uma andorinha, nem uma bola consegue chutar direito. A rapariga é a a Maria, porque não há nome mais patriótico que este e Josefino , sempre foi de guardar grande sentimento para com a sua pátria.
Em termos políticos, vota pela abstenção. Não vê o telejornal, porque segundo ele "é só desgraça , mulhereee, mete na bola." Obviamente, tem uma box pirata para ver a Sport Tv. E não tem paciência para telenovelas.
Mora na Curraleira, e é presidente da associação de moradores como único membro da associação."
André Campino @ Josefino Manuel da Silva, mestre-de-obras

quinta-feira, maio 31, 2007

Entre uma garfada e um bocado de batata, à tua mesa relembrava momentos. "Está quente?" Relembrava momentos vividos, momentos que não me esqueci e que comigo ficarão para sempre. Entre outra garfada, um sobressalto. Com uma simples frase que me assaltou no momento mais (in)oportuno. "Na páscoa tive muitas saudades da tua avó. Sentada ali, à cabeceira com o teu pai sempre a meter-se com ela. Era muito religiosa, e boa pessoa." Senti-te lá. Será que ela também? "Já tenho o passaporte para a ida. A morte é uma coisa certa, logo que nascemos sabemos que um dia iremos morrer. É certo." De repente, aquele aperto e as lágrimas a querem sair voltaram, aquele sentimento perdido ou pelo menos em parte esquecido regressou, em força. Sei que é um caminho sem fim, uma espera eterna. Mas com egoísmo ou sem, fica comigo. Beijinho.

segunda-feira, maio 28, 2007

"I believe theres a hero in all of us, that keeps us honest, gives us strength, makes us noble. And finally gets us to die with pride. Even though sometimes we have to be steady and give up the thing we want most, even our dreams."
spider man 2

sexta-feira, maio 18, 2007

Na cidade dos Oregãos
Tudo é condimentado
Tudo é apaixonado.

Na cidade dos Oregãos
Chovem ervas em vez de chuva
E o vinho é oregães e não de uva.

Na cidade dos Oregãos
O presidente é a salada
E não (a)prova marmelada!

Na cidade dos Oregãos
Também existe Oregão Natal,
Que oferece aos oregãozinhos um condimento especial.



Na cidade dos oregãos comemoro o 50º post.

domingo, maio 13, 2007

e finalmente nas sete colinas nós sorrimos. obrigada.

quinta-feira, maio 10, 2007

"É dancar como se não houvesse amanhã. Esquecer o mundo a tua volta e aqueles que te olham. Sincronizar o teu corpo com a musica. O teu coracao batera' com ela. Em unissono. Nao pensas em nada. Sente as emocoes que te percorrem o corpo. Elas sao fortes, determinadas e contagiantes. Quando acordas um bocadinho desse transe vez que a doenca se espalhou. Todos sentem o mesmo com a mesma intensidade, com o mesmo desejo de viajar para longe. Tudo se manifesta em forma de energia e alegria. Movimento e euforia. Para dancares mais alem. é como se fosse o apocalypse, mas feliz."
Tom
p.s. nao consegui resistir a nao citar isto. quem respira musica desta maneira tem de ser ouvido e admirado, uma salva de palmas para ti, Tom.