terça-feira, julho 29, 2008

Vigésima quarta história
Quando a vida nos surpreende e nos volta de pernas para o ar, o sangue aloja-se na nossa cabeça provocando um fenómeno estranho de desenvolto raciocínio. Já Einstein o sabia e utilizava esta técnica, no seu sentido literal, diversas vezes. Mas nesta história que passo a contar, a história é outra.

Não fora intencionalmente que Isabel quisera que o seu raciocínio se desenvolve-se de tal maneira que não conseguisse deixar de pensar nele, mas a vida trocou-lhe as voltas e pô-la de pernas para o ar. Ora portanto, numa posição totalmente inversa todo o sangue é bombeado pelo coração dirige-se à cabeça com tudo o que o coração tem de melhor e de pior. Mas a diferença entre Isabel e Einstein é que este último não estava apaixonado de modo que toda a sua paixão se baseava nas ciências e deste modo tirava o melhor partido delas. Mas, como todos sabemos, o que o coração melhor sabe fazer é amar, e quando se ama alguém, como era o caso de Isabel, todo o sangue que o coração bombeia é incentivado por todos aqueles pequenos gestos, simpáticas palavras, saudáveis carinhos que alimentam a paixão. Assim, todo o sangue que se dirigia para a cabeça de Isabel estava contaminado pela magia do amor. Assim, Isabel passava os dias hipnotizada no seu amor.

Até aqui, esta história até ia bem encaminhada, com o encanto do destino, o charme da sorte e uns pozinhos de “pre lim pim pim” seria final feliz de certeza! Contudo, não era só o mundo de Isabel que estava de pernas para o ar. Infelizmente o de seu amado também. Não havia outra explicação para tal jovem e solteiro moço não reparar em todos os sintomas de amor que Isabel demonstrava. A sua indiferença era gelada, o seu desprezo ia deixando Isabel cada vez mais moribunda e perdida nos seus próprios pensamentos. Para quem nunca provou o sabor amargo e doce do amor, pode pensar que Isabel perdida nos seus pensamentos fosse sobrevivendo lentamente, progressivamente esquecendo tal rapaz que a deixara. Mas, os entendidos na matéria, sabem que é o amor, que nos tira o tapete de baixo dos pés e faz o mundo girar 90 graus deixando-nos de pernas para o ar. Era assim que Isabel estava, embrenhada no labirinto do amor, o sangue que o seu coração enamorado bombeava percorria-lhe o corpo todo, alojando-se lentamente na sua cabeça e contaminando-lhe os seus pensamentos com o bichinho do amor. Isabel passava os dias a pensar no seu amor, por vezes distraia-se com outras coisas, mas era um ciclo vicioso. De dentro impossível libertar-se, de fora incompreensível. E Isabel passava os dias a pensar no seu amor.

terça-feira, julho 15, 2008

Vigésima terceira história
Todas as noites ela subia toda a escadaria até uma plataforma suspensa a uma altura equivalente a dois andares. A plataforma estava ligada a outra plataforma apenas por um cabo de aço triquilitante. Ela tinha de o atravessar.
Embora já o tivesse feito outras vezes e até tivesse conseguido chegar à outra plataforma sã, houvera casos em que caíra e a queda fora tão grande que toda a sua coragem e segurança ficaram reduzidas a mil cacos.
Agora tinha um medo enorme de se aventurar outra vez naquela jurnada insegura e triquilitante a que chamam de amor.

segunda-feira, julho 14, 2008

Vigésima segunda história
Esta história é sobre carinho. O sentimento carinho, que como tal é transmitido de pessoa para pessoa. No mundo perfeito seria o primeiro e o último sentimento a ser experienciado. Respectivamente, o olhar carinhoso de uma mãe perante o seu filho recém-nascido e o sentimento mais recordado/desejado nos últimos momentos de vida.

Era uma vez uma rapariga, uma rapariga normal mas extraordinariamente carinhosa. A menina, tão doce menina, por vezes confundida com as meninas mal amadas devido a esta estranha tendência de espalhar carinho. Era um pequeno regalo para o mundo. À sua volta todos eram mais sorridentes, a primavera seguia-a assim como a bondade e a felicidade.
Era linda e perfumada, na mão trazia sempre um brinquedo de fazer bolinhas de sabão; disfarçada entre as crianças, amolecia o coração.

domingo, julho 13, 2008

Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

Tom Jobim
Vigésima primeira história
O sol irradia os últimos raios de sol. O horizonte é preenchido por uma mescla de tons quentes. O tempo está quente e seco. O fim da tarde beija Lisboa, oferecendo-lhe um tom alaranjado. O Tejo e a ponte 25 de Abril enquadram todo o bonito cenário.
Madalena iluminada pelo lado direito com aquela luz alaranjada parece ainda mais bonita. O castanho profundo dos seus cabelos, ligeiramente ondulados, ganha agora uns pequenos reflexos ruivos; seus olhos ganham um tom cor de mel; e o seu sorriso… esse nada o muda, sempre radiante.
Mateus, sempre com a sua expressão calma, transborda felicidade pelos seus olhos muito escuros e rasgados. Involuntariamente, perde-se na beleza de Madalena e não escuta uma só palavra do que ela diz. Apesar de Mateus admirar tudo o que Madalena diz, aquele momento fê-lo perder toda a atenção que prestava as palavras sábias e graciosas de Madalena. A luz, os gestos, o olhar; tudo. Madalena está perfeita.
O tempo passa, o sol agora invisível, dá lugar a uma pequena brisa que apresenta a noite. Mateus e Madalena continuam onde estavam o tempo parece não existir para eles. A esplanada onde se encontram já não é a mesma, a luz alaranjada que o fim da tarde trazia e fazia reflectir toda a loiça e mobília, fora agora substituída pelo escuro progressivo que traz a noite. As velas iluminam agora o espaço com a sua luz turva e agitada.
O pensamento de Madalena viaja a alta-velocidade, tem plena consciência que há muito tempo que aquela relação deixara de ser uma amizade normal. Mas por outro lado, não tem a certeza até que ponto está disposta a arriscar entrar numa nova relação amorosa, tendo em consideração o seu historial atribulado. Mas quando olha para Mateus, sempre com aquela expressão calma, sente algo que há muito tempo não sentia, segurança. De repente dá por si a pôr em hipótese declarar-se. Logo a seguir, sente-se ridícula e perde a coragem. Enche-se de esperança que ao fim da noite os seus desejos sejam realizados e ele tome conhecimento de todo o carinho que ela sente por si. Entre suspiros e conversa o tempo vai passando e Madalena continua a sonhar.
Mateus agora concentrado na conversa, tenta tirar o maior partido de tudo o que Madalena diz, parece-lhe sempre tão sabia, tão certa. Tenta aprender e crescer ao máximo com tudo o que ela sabe. Por uma vez ou outra, deixa-se embalar na beleza dos seus gestos, da delicadeza do seu corpo; mas regressa sempre à conversa com medo de desrespeitar tal milagre da Natureza. Mateus admira-a, e sente-se na função de proteger tão frágil e virtuosa menina dos males do mundo. O carinho que tem por ela ultrapassa tudo o que já sentira por alguém, mas talvez por isso mesmo, o medo de não ser correspondido e se ter de afastar faz com que nunca se chegue a aproximar. E permanece sempre ali, escutando-a, amando-a, perdido nos seus gestos, embebido na sua graciosidade e curioso pela sua sabedoria.
A noite cai. Os talheres são pousados. A loiça é levantada. Mateus e Madalena abandonam a esplanada e seguem seu caminho amando-se secretamente um ao outro.

quarta-feira, julho 09, 2008

TRISTEZA NÃO TEM FIM...
...A FELICIDADE SIM.

terça-feira, julho 08, 2008

Vigésima história
Ela envolvida em melancolia vivia. Os dias levavam-na na sua maré. Vivia cada dia esperando pela coragem ou pelo milagre que realiza-se os seus sonhos; mas faltava sempre qualquer coisa que a fizesse lutar. No estranho conforto do medo estagnava, esperava. E assim vivia lentamente.
Por vezes tentava arranjar teorias que refutassem todo aquele sentimento, agarrava-se aos barcos que navegavam para alto mar tentando deixar toda a memória, toda a mágoa: todo o amor para trás; mas a maré enamorada pela areia das praias, dançando num vai e vem deixava-a sempre, de novo, na costa de onde partira.
E ela vivia nesta angústia, num destino fatal de se prender e envolver cada vez mais.
Outras vezes decidia que daquela vez, cheia de certezas, encontrara a paz nos braços de quem fugira outrora em tremenda angústia. Mas tal coragem era efémera e nunca se tornara em acontecimento.
E assim, a menina voltava sempre para a praia e observava a única coisa que alguma vez a compreendeu e sempre compreenderá: o mar. O mar, percorrido por tantos barcos, casa de tantos seres; decidira apaixonar-se pela areia e por mais que se afaste volta sempre furioso para ela.

domingo, junho 15, 2008

CENA 1
Casa de MADELEINE e GUSTAVE - Int. / Noite

A casa é um pequeno loft. É perceptível que MDELEINE e GUSTAVE a habitam à pouco tempo. As paredes estão por pintar e a mobília é pouca ou inexistente. No meio da sala existe uma pequena mesa de madeira. MADELEINE e GUSTAVE estão sentados no chão em torno da mesma. A sala é escura e é percorrida por uma enorme nuvem de fumo. Sobre a mesa, entre várias garrafas de vinho e dois copos, estão dois dossiers. Nas respectivas capas cada dossier tem a fotografia de um homem e o seu nome completo.

MADELEINE
JEAN PIERRE de la Maison, magnata de economia. Desvia dinheiro desde o início do mandato deste governo. Chantageia o primeiro-ministro. Como é possível? E ninguém faz nada!

GUSTAVE
Ah! E este: VICTOR del Solai, está na política há cinco anos. É cadastrado na América por tráfico de droga. E como não podia deixar de ser, aproveita-se da sua posição para sustentar e comercializar os seus vícios. Sempre com roupas de grandes marcas e brutas jóias. E são estas as pessoas que estão no poder?

Ambos continuam a folhear os dossiers, vão comparando pormenores e planeando estratégias.

CENA 2
Ruas de Paris - Ext. / Dia

As ruas de Paris estão cheias de pessoas que ostentam as suas melhores roupas. Toda a gente procura alguém. A carência sente-se no ar. Os cafés enchem-se de senhoras todas aperaltadas em busca de um senhor que lhes faça companhia.
CENA 3
Restaurante “Eiffel” – Int. / Dia

Dia 7 de Junho, MADELEINE entra sozinha no restaurante “Eifel”. Veste um vestido branco cintado que roda em sua volta com a pequena brisa que passa. Na cabeça, com elegância, usa um grande chapéu branco de abas redondas. O restaurante situa-se na baixa da cidade e o cheiro das suas iguarias envolve todo o quarteirão. Todas as noites a fila surpreende quem passa. MADELEINE, entra no restaurante com um ar seguro e indiferente a tudo o que a rodeia. O restaurante é enorme, preenchido por mesas quadradas todas com lindas toalhas de linho branco. Sobre estas inúmeros pratos, talheres, copos, guardanapos, saleiros, condimentos; tudo do mais belo design. Os empregados circulam desvairadamente por toda a área circundante às mesas, criando bonitos jogos de equilíbrio com as grandes e brilhantes travessas. Sozinha e imponente dirige-se a uma mesa, reservada para dois, no centro da sala. Senta-se e espera pela sua companhia. MADELEINE, não fica surpreendida por ter chegado primeiro, mas mesmo assim fica aborrecida sem nunca perder o seu ar de senhora de alta classe. Enquanto espera vai fumando os seus cigarros Slim. Passado meia hora JEAN PIERRE chega. JEAN PIERRE é um influente homem de negócios, muito novo para o cargo que apresenta. É moreno e bonito, e sorri sedutoramente para MADELEINE.

MADELEINE – (Comentário)
E ao fim de meia hora lá ele chega com aquele ar de Don Juan. Acha que tem a noite garantida. Eu até lhe achei piada, mas logo me vieram as imagens daquele dossier à cabeça. Chantagem e corrupção. Dois coisas que não tolero!

JEAN PIERRE
(Beijando a mão de MADELEINE educadamente)
Boa tarde, como sempre muito bonita.

MADELEINE
(Muito bem impressionada)
Boa tarde, o JEAN PIERRE também não está nada mal.

JEAN PIERRE
Já aqui está há muito tempo?

MADELEINE
Ah! Não, acabei mesmo de chegar.

JEAN PIERRE olha para o cinzeiro e repara no cigarro marcado com a marca do batom de MADELEINE. Sorri, pois sabe que ela o espera desde a hora combinada e que lhe acabara de mentir.

JEAN PIERRE – (Monólogo Interior)
Ela não me resiste.

Os dois, sobe um clima romântico almoçam, riem e conversam. O tempo passa loucamente e nem JEAN PIERRE nem MADELEINE o notam.

CENA 2 A)
Ruas de Paris – Ext. / Noite
A fila à porta do restaurante vai se formando. MADELEINE e JEAN PIERRE abandonam o restaurante abraçados e sorridentes. Como previamente combinado, JEAN PIERRE acompanha MADELEINE até aos táxis, mas, a meio do caminho trava-a e faz-lhe uma proposta.
JEAN PIERRE
(Sussurrando ao ouvido de MADELEINE)
A MADELEINE vai me desculpar o descaramento mas não pode ir embora sem que o seu cheiro se misture com o meu; de modo a que sempre que eu sinta saudades suas, sinta o seu cheiro em mim e a sinta, assim, um pouco mais próxima.

MADELEINE sorri, a noite não poderia estar a correr melhor.

CENA 4
Hotel – Int. / Noite

No quarto de um hotel muito frequentado pela alta sociedade para os seus pequenos affères, MADELEINE e JEAN PIERRE envolvem-se. O quarto não é muito grande mas espaçoso. Está luxuosamente decorado. A cama é enorme, o colchão mole, as almofadas abafam toda a cabeceira, os lençóis são de linho branco e o edredão vermelho sangue de boi. A carpete é bege e felpuda, percorre todo o quarto. A mobília é de madeira de cerejeira combinando perfeitamente com as majestosas cortinas da mesma cor que o edredão. Mas, nem tudo corre bem, MADELEINE não se consegue concentrar de tão extasiada que está com o trabalho que tem a fazer que não demonstra qualquer interesse por JEAN PIERRE. Este, frustrado com esta nova situação enfurece-se. Nunca uma mulher o humilhara tanto e não iria deixar as coisas continuar assim. Se MADELEINE não o desejava não iria acontecer nada. Levanta-se abruptamente, veste-se e ordena MADELEINE a fazer o mesmo. MADELEINE obedece com um sorriso nos lábios que provoca ainda mais JEAN PIERRE. Este, possesso com a situação vai até à casa de banho. Enquanto isso, MADELEINE vai à sua mala Lousi Vuitton e tira um pequeno revolver prateado. Ao sair da casa de banho JEAN PIERRE é surpreendido por MADELEINE. Ela mata-o friamente.

CENA 5
Elevador do Hotel – Int. / Dia

Após acabar o serviço MADELEINE, abandona o quarto e entra no elevador. É um cubículo pequeno, forrado a madeira, com porta de ferro dourado em cruz. O empregado do Hotel abre-lhe as portas.

MADELEINE
Para o rés-do-chão, por favor.

O empregado do Hotel volta a fechar as portas e pressiona o botão do rés-do-chão. MADELEINE retoca o seu batom e calmamente volta a calçar suas luvas brancas. MADELEINE, está agora apática e pensativa, perdera a sua postura imponente. Pensa na monotonia da sua vida, que perdera o sentido e toda a adrenalina que outrora tivera.

CENA 6
Casino Paris – Int. / Dia

A sala é grande e redonda. Suportada por grandes pilares com pequenos adornamentos. No centro inúmeras mesas preenchem o espaço. As mesas são rectangulares e compridas, as cadeiras estão forradas com tecidos brancos com pequenos detalhes a dourado. As toalhas pousadas sobre as mesas são verdes com renda branca em volta. As paredes são escuras o que torna o ambiente extremamente pesado. O fumo enche a sala e são tantas as pessoas que se encontram na sala de refeições do casino que o burburinho é ensurdecedor. Na mesa mais ao canto da sala, GUSTAVE, um homem carrancudo de meia idade, observa o ambiente que o rodeia. Achas todas aquelas pessoas patéticas. Cada um a tentar rir mais alto que o outro para de destacar. Cada um a usar roupas mais exuberantes que o outro. Para GUSTAVE tudo aquilo é absurdo. O ódio e o desprezo começam a invadi-lo. Calmamente acaba o seu cigarro, inspira fundo e o jogo começa. GUSTAVE salta agora de grupo em grupo. Encarna a postura de quem o rodeia rindo do mesmo modo, fumando do mesmo modo, falando do mesmo modo; tentando enquadrar-se da melhor maneira no meio. Devagar vai chegando até ao seu alvo sem levantar suspeitas. Discretamente aproxima-se de ANTOINE. VICTOR, é um homem executivo respeitado no meio pelo estatuto que alcançou. Ao aperceber-se da presença de GUSTAVE aproxima-se dele.

GUSTAVE – (Comentário)
Ele já me tinha visto, e sabia o que eu estava ali a fazer. Não mostrava qualquer receio. Sabia que eu descobrira o seu segredo e que agora o seu cargo estava em risco.

VICTOR
Sabia que vinhas cá hoje acabar o serviço que à duas semanas deixas-te por acabar.

GUSTAVE
Então se sabes despacha-te. Vamos para uma sala mais reservada.

VICTOR
(Sorridente)
Vamos.

Discretamente, VICTOR deixa passar GUSTAVE à frente e de pistola em punho prepara-se para o surpreender. Ao chegarem à sala, GUSTAVE vira-se e espanta-se ao ver VICTOR apontando-lhe uma arma.

VICTOR
E agora? Vais fugir e deixar outra vez coisas por fazer ou vais morrer com a pouca dignidade que ainda te resta?

Os dois homens envolvem-se numa luta. Só quando a arma cai ao é que ambos param e tentam apressadamente agarra-la. Mas, GUSTAVE é mais rápido e sem qualquer hesitação mata VICTOR.

CENA 2 B)
Ruas de Paris – Ext. / Dia

Paris, bem cedo. As pessoas agora sisudas, caminham apressadamente para os seus destinos.
O jornaleiro berra a manchete do Jornal de dia 13 de Junho: “Police cherchent assassins!”.

CENA 2 C)
Ruas de Paris – Ext. / Noite

No mesmo dia, mas no cair da noite. GUSTAVE fuma mais um cigarro numa rua sombria. Do meio da escuridão uma senhora aproxima-se.

MADELEINE
(Extremamente triste, mas totalmente à vontade, sem se esconder em personagens fictícias)
Viste o Jornal? Antes ficava toda empolgada com os nossos golpes e ainda mais com a fuga. Mas agora não GUSTAVE. Estou farta desta vida. Não podemos continuar com isto. Deixamos chegar a um ponto em que nada faz qualquer sentido. Perdemos a dignidade. Perdemos a moral e todos os nossos valores. Por mim chega. O que nos aconteceu? Com tantos ideais pela justiça como podemos seguir por um caminho ainda mais sujo em busca de um fim melhor?
GUSTAVE
Entra no carro.
O carro arranca.
CENA 7
Carro de GUSTAVE – Int. / Noite

MADELEINE chora e GUSTAVE, carinhosamente, acaricia-a pondo o seu braço sobre o ombro dela.
GUSTAVE
Vamos começar tudo do zero em Áustria. Viena de Áustria.

MADELEINE olha para GUATAVE e faz e sorriso triste. Limpa os olhos húmidos.
MADELEINE
Como é possível termos feito tudo o que fizemos, GUSTAVE? Morto tanta gente, achando que éramos donos do mundo? Achando que toda a gente se devia reger pelos nosso valores? Como é possível termos sido tão parvos e tão fechados no nosso próprio umbigo durante tanto tempo?

GUSTAVE
Eu sei…

sexta-feira, maio 23, 2008

O SENTIDO DA VIDA
Para mim, a vida é um percurso, uma jornada que vamos percorrendo até à morte. Para uns este percurso é absurdo, obrigatório e percorrem-no porque sim; para outros está simplesmente predestinado por um Ser maior; Ser este que decidirá o seu futuro depois da morte. Mas, para mim nenhuma destas duas preenche a minha vontade de viver.
A vida só tem sentido a partir do momento em que existe uma evolução e uma aprendizagem. E tanto uma como a outra devem permanecer em nós até à morte. Deste modo, digo que o sentido da vida se baseia em memórias. As marcas que ficam do que já passámos. Momentos que, tanto pela positiva como pela negativa, nos fazem agir melhor da próxima vez e que relembramos para o resto da nossa vida. São as memórias que fazem com que a vida valha a pena.
Para mim, o sentido da vida baseia-se na realização pessoal, e esta realização de que falo não se baseia na fé, nem em simples prazeres absurdos. Baseia-se em relações interpessoais, nas pessoas. Porque só com elas podemos aprender e melhorar, e são elas que nos oferecem as melhores memórias.
Sei que não tenho maturidade nem experiência de vida suficientes para basear toda a minha vida nas memórias que virão, até porque não teria qualquer sentido. As memórias de que falo são a vontade de que todos os momentos futuros tenham importância suficiente para me marcarem e que moldarem como uma pessoa melhor.


Na minha opinião, o sentido da minha vida baseia-se na ética. Mas uma ética moderada. Para mim o sentido da vida são as relações, como já disse. É o conhecimento, a gratificação, a integridade, o crescimento que obtemos da interacção, pois é demasiado irreal e impensável dizermos que somos totalmente auto-suficientes. Porque a melhor forma de crescer é crescer com/pelos outros. Refiro-me a uma ética moderada porque não seria honesta se dissesse que vivo a minha vida totalmente em função dos outros e que só isso me deixa totalmente realizada. Mas, facilmente o mundo seria muito melhor que cada um desse 1% de si pelo próximo, porque se eu der 1% de mim a um outro individuo, este outro iria sensibilizar-se e iria ajudar mais alguém e deste modo, lento mas eficaz todos os dias mais de uma pessoa iria sorrir um pouco mais.
Se por um lado a minha vida só faz sentido se poder ajudar as pessoas que me rodeiam; por outro, acho que a vida só faz sentido se nos sentirmos seguros e confiantes de que se cairmos temos alguém que nos agarre. Porque a vida é feita em função de darmos, mas consequentemente, acabamos sempre por receber. Assim, a vida faz mais sentido quando nos rodeamos das pessoas que gostamos e sabemos que podemos obter apoio e conhecimento das mesmas, porque é debatendo e discutindo os nosso ideais com ideais contrários que os corrigimos e se vão aproximando cada vez mais da verdade.


É nisto que a vida se baseia, é uma oportunidade enquanto seres racionais de provarmos a nós próprios que conseguimos ir até onde quisermos, de superarmos os nossos limites e de quebrarmos barreiras. De crescermos duplamente, seja por orgulho próprio, por agirmos bem face aos outros; ou gratidão e humildade perante outro indivíduo que nos ajuda quando somos nós que precisamos.

Porque tudo isto preenche uma vida, e faz com que a abandonemos com a alma a sorrir e a transbordar de memórias que, ao fim ao cabo são as marcas que a vida nos deixa.

quarta-feira, maio 14, 2008

CENA 7
Interior / Dia – Quarto de ARTUR (W/C)

ARTUR (Comentário)
Nunca quis uma vida monótona, presa a rotinas. Sempre vivi à procura da emoção e novos limites. Mas esta vida que sempre levei vai corroendo a alma por dentro…

O quarto parece limpo. Está pintado de verde pálido e nas paredes existem gravuras com esculturas eróticas. A cama é muito baixa e ao lado há uma poltrona esfarrapada e um monte de almofadas coloridas. Na mesa-de-cabeceira vários objectos de forma inconfundível completam o espaço. ARTUR despe-se, pega na roupa interior lavada e segue para a casa de banho, no interior do quarto. É um cubículo lacado e tem na porta um poster com uma loira montada numa coca-cola. O poster está amarelecido e manchado dos insectos. A loura usava o cabelo à Marilyn Monroe, tipo anos 50. ARTUR pousa a sua roupa sobre a sanita e entra para o "poliban". No chuveiro falta o coador. É simplesmente um cano de onde jorra um jacto de água à altura da sua cabeça, mas ARTUR não hesita em lavar-se. No mesmo instante em que a água corre, tocam à porta persistentemente. ARTUR atrapalhado enrola-se no toalhão, que se encontra pendurado, e corre. Ao chegar ao quarto repara que as janelas estão escancaradas e que os cortinados esvoaçam ao vento. ARTUR olha o céu que anuncia algo estranho. No céu pendem nuvens com mesclas de cinza e rosa. Fica atento e já nada ouve, a não ser, o ruído de fundo do tráfego e o burburinho da multidão que se faz sentir na avenida principal. De regresso, novamente à casa de banho, e ao virar-se assiste à revolução do seu quarto. Entre gavetas no chão, a cama revolta, objectos pessoais espalhados, e outros, estão a descoberto fotografias, um revólver e uma mancha de sangue. ARTUR fica perplexo. A sua imagem funde-se a negro.

ARTUR (Comentário)
…Não tenho amigos. Depois do que já vi na vida já não consigo confiar em ninguém. A vida ensinou-me a lutar por mim e pelas pessoas que realmente importam. A família. O meu irmão…

ARTUR (Comentário)
…Mas às vezes a família não está à altura e trai. Eu sabia que aquela confusão tinha a ver com o RAMÓN, tinha a sua marca por todo o lado. Depois de tantos anos com ele nestes esquemas já não me engana. O RAMÓN, sempre foi tudo para mim, já nos conhecemos há 32 anos e nunca na vida hesitei em ajudá-lo. Ele é a minha vida. O meu dever, como irmão mais velho e único familiar, é protege-lo. Mas, nunca esperei tal ingratidão. Achei que a ganância e a avareza não ousavam estragar algo como amor de dois irmãos, mas pelos visto enganei-me. E tão bem enganado.

CENA 7 A)
Interior / Dia – Quarto de ARTUR (W/C) – Flash Forward

O pequeno quarto, parece agora ainda menos espaçoso pois está todo desarrumado. A cama está desfeita, as almofadas estão no chão lançadas ao acaso. A cómoda está toda remexida com as gavetas abertas a cair umas em cima das outras.
ARTUR está em frente da cama mais para o lado esquerdo, caminhando furiosamente para a porta. Atrás de dele está RÁMON que invadido por cólera, pega no revólver deixado posteriormente na cama de ARTUR e dispara.

CENA 8
Interior / Noite – Museu de Arte da Venezuela – Flash Back

ARTUR entra no museu pela janela. ARTUR veste um fato de treino preto e esconde a cara sob um gorro de malha canelada também preto, com dois buracos que deixam os olhos a descoberto. Sozinho dirige-se para a ala este do piso, ARTUR sabe bem para onde vai. O corredor é comprido e apresenta famosíssimos quadros de dois em dois metros; entre estes, e de vez em quando, pode ver-se um pedestal com peças formidáveis. Mas para ARTUR tudo o que o rodeia é insignificante comparado com a peça que se encontra à sua frente. ARTUR sabe que não tem muito tempo, o segurança pode passar a qualquer momento, mas não resiste à beleza do objecto. Fica a contemplá-lo. A sua beleza, a perfeição, a sua cor profunda que reluz extraordinariamente mesmo com a pouca luz que a sala oferece. Da pedra, ARTUR passa para a corrente, majestosa, brilhante e perfeita. Toda a peça olha para ele como se lhe implorasse que a tirasse dali. ARTUR não oferece resistência e acaba o trabalho.

ARTUR (Comentário)
Não foi este o futuro que imaginei para mim… queria ser piloto da força aérea. Percorrer o mundo de uma ponta à outra. Sempre me interessei por arte, mas arte é apenas um regalo para os olhos. A minha paixão é a adrenalina. Daí que chegar ao tráfico de arte não foi assim tão complicado: tinha as minhas duas paixões juntas e sabia que dinheiro era coisa que não ia faltar. Acima de tudo, estava próximo do meu irmão e sabia que, apesar de não o conseguir convencer a largar aqueles esquemas; estava por dentro para o proteger…

ARTUR (Comentário)
…Esta peça era extraordinária, nunca tinha visto nada assim na minha vida. Sempre que olhava para ela só conseguia imagina-la no pescoço cor de marfim da GUADALUPE. A mulher mais bonita do mundo.

Cena 7 B)
Interior / Dia – Quarto de Artur (W/C) – Flash Back

ARTUR, olha mais uma vez para as fotografias do colar e vem-lhe mais uma memória à cabeça.

Cena 7 C)
Interior / Noite – Quarto de ARTUR (W/C) – Flash Back

ARTUR está deitado na cama de barriga para cima, respira ofegante e o seu corpo está suado. À sua esquerda está GUADALUPE, magnifica. A sua pele tom de marfim, apresenta um pequeno brilho devido à transpiração. Os seus longos cabelos negros espalham-se pela cabeceira da cama. As pernas de ambos estão entrelaçadas. ARTUR acaricia o pescoço de GUADALUPE e sorri. GUADALUPE continua com o olhar vago e a sua expressão fria habitual.

ARTUR (Comentário)
Naquela manhã, GUADALUPE estava mais bonita que nunca. Sempre com o seu ar divino, majestoso e indiferente. Mas sempre bela. Eu estava a tremer de loucura e ansiedade.

ARTUR
Tenho uma surpresa. Sei que vai adorar, não lhe queria mostrar já porque ainda falta limpar, mas confesso que não resisto.

ARTUR sorri descontroladamente. Vira-se para a esquerda e abre a pequena gaveta da mesa-de-cabeceira, afasta alguns objectos pessoais e pega na jóia. Ao segurá-la nas suas mãos, o cintilar gélido dos brilhantes desperta a curiosidade de GUADALUPE que, pela primeira vez, muda de expressão. Olha agora para ARTUR bastante interessada. ARTUR mostra-lhe a peça (roubada). É um colar fascinante com a mais bonita safira combinada com uma magnífica corrente de brilhantes. O interesse de GUADALUPE cresce.

ARTUR (Comentário)
…Aquele sorriso, valeu por todo o esforço e ansiedade. Finalmente consegui arranjar um presente que ficasse à altura da mulher da minha vida!

GUADALUPE
É magnífico ARTUR. Onde arranjou esta preciosidade?

ARTUR
Também achei. Isso não interessa.

GUADALUPE
(Arrancando-lhe o colar das mãos colocando-o no próprio pescoço)
É para mim? Não acredito! O ARTUR é incrível!

ARTUR
(Tirando-lhe suavemente o colar e voltando a guardá-lo no mesmo sítio)
É sim meu amor, mas vai ter de esperar mais uns dias.
GUADALUPE segue todos e quaisquer movimentos do colar. Não o perde de vista até voltar para a gaveta.


CENA 7 D)
Interior /Dia – Quarto de Artur (W/C) – Flash Forward

O tiro é certeiro e ARTUR cai morto imediatamente. ARTUR jaz no chão imóvel num transe de transição entre a vida e a morte.

CENA 7 E)
Interior /Dia – Quarto de Artur (W/C)

Quando volta a si, ARTUR fica ainda por segundos desorientado. Está ainda perplexo com a confusão em que o seu quarto se transformou. Tomando rapidamente consciência da situação, ARTUR apressa-se a ir à gaveta da mesinha de cabeceira (única coisa que parece minimamente intacta). Mais descansado com o que verifica, volta a fechar a gaveta. Batem outra vez à porta. O quarto é pequeno e a distância entre ARTUR e a porta é minúscula. A porta é de madeira de pinho e a maçaneta dourada. Toda a decoração do quarto roça um pouco o piroso. Do outro lado da porta, RAMÓN espera impaciente. RAMÓN é um homem atarracado o que é exagerado pela lente côncava do buraco da porta. Apresenta um ar furiosamente impaciente e veste um fato italiano de risca de giz branca, uma camisa branca e uma gravata vermelha. RAMÓN é gordo, tem bigode e fuma charuto de tal maneira que tudo à sua volta é uma enorme nuvem de fumo. ARTUR reconhece o irmão e abre a porta.

ARTUR (Comentário)
Eu sabia que tinha sido o RAMÓN…vinha tentar dissuadir-me e convencer-me a dar-lhe o colar. Tão previsível.
(Gargalhadas secas)

RAMÓN
(Um tom vermelho-escarlate apodera-se da sua cara)
ARTUR, o prazo está a apertar. Quero a peça já! Visto que andas a fugir decidi vir! E não saio daqui sem o colar! Sei que o tens por aqui!

RAMÓN chega agora ao quarto, interrompe o seu discurso, dá um bafo no charuto, esboça um sorriso e pergunta ironicamente.

RAMÓN
(Esboça um sorriso infantil e brinca com os anéis dourados que usa nos dedos gordos)
O que é que se passou aqui no teu quarto, ARTUR? Até parece que foste intimidado...

ARTUR olha-o com desdém. RAMÓN lança uma forte gargalhada e continua a gozá-lo.

RAMÓN
Ah! E será impressão minha ou aquelas fotografias não são as fotografias do MEU colar?! Bem, parece que cheguei mesmo a tempo, visto que até já tiveste tempo para fotografar a tua nova e efémera aquisição. ONDE ESTÁ O COLAR?

RAMÓN dá um bafo no charuto e atira-o à cara de ARTUR com desdém.

ARTUR
(Ajeita a toalha que tráz enrolada na cintura)
Não te vou dar o colar! Sei que foram os teus capangas que deixaram isto aqui para me pressionar! Tu sabes bem o valor que o colar tem para mim e só me obrigaste a fazer este trabalho para me testar! Eu não vou ceder! A divida que tinha para contigo já foi paga à muito! Isto agora é extorsão! E se continuas atrás de mim denuncio-te à polícia… não quero saber se também vou ao fundo!

RAMÓN
(Irónico)
Como te atreves a dizer tal coisa ao teu irmão que te ajudou quando toda a gente te virou as costas? Que ofensa!

ARTUR (Comentário)
Não lhe dei o colar, e não me arrependo. O amor que sinto por RAMÓN é absurdo. Mas toda a vida me sacrifiquei por ele e chegou a altura de isso acabar.

ARTUR
Sai, por favor, e nunca mais te quero ver.

ARTUR (Comentário)
Estas foram, sem dúvida, as palavras que mais me custaram dizer em toda a minha vida.

ARTUR dirige-se à porta para expulsar RAMÓN. Mas, este invadido por cólera, pega na arma deixada posteriormente na cama de ARTUR e mata friamente o irmão. Este cai morto no instante.

ARTUR (Comentário)
Não me apercebi logo da situação. Aliás nunca pensei que o RAMÓNZITO fosse capaz de fazer o que fez. Só quando realizei que a minha vida ficara resumida a apenas alguns minutos de retalhos de memórias, é que conclui que nunca mais iria ver a cara da pessoa à qual dediquei todo o sentido da minha vida. À qual dei prioridade em todos os momentos importantes. E agora essa pessoa, que significa tanto para mim, apunhala-me pelas costas e acaba com a minha vida. Que sentido teve a minha vida?

CENA 7 F)
Interior / Dia – Quarto de ARTUR (W/C)

A cena está limpa. O espaço está encenado para que parecesse um suicídio. A porta do roupeiro abre-se. Uma mão feminina, de unhas bem arranjadas, empurra a porta do lado de dentro. De seguida um salto alto vermelho toca no chão, o outro também e contíguas a estes, umas longas e nuas pernas aproximam-se de RAMÓN. RAMÓN sorri com cumplicidade. GUADALUPE olha para ele com sensualidade. Pousa o chapéu largo sob a cabeça e beija RAMÓN. GUADALUPE, dirige-se à mesa-de-cabeceira, tira o colar da gaveta, coloca-o ao pescoço e RAMÓN ajuda-a a fechá-lo.

GUADALUPE
(Fascinada com o colar que possui)
Como fico, amor?
RAMÓN
(Calmo e totalmente apaixonado)
Perfeita, princesa!

Ambos dão as mãos e abandonam o local.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008


INESgotável

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

19th story
Once upon the time there was a little house with a little attic. It was a little room made up of dark wood.
This little attic was full of boxes. Little ones. Medium-sized. And big ones.
Some of these boxes were full of books, others of dolls, others of things that just got old but still full of memories.
Among these receptacles there was a special one. It was the smallest and the most beautiful one. It seamed to be a gift with a shinning, colourful and beautiful wrapping paper.
Next to it, there was a flower. It was a yellow flower.
But this box and this flower weren’t ordinary ones.
This box contained happiness and this flower showed much sadness.
The little box was happy because it was laid next to a fabulous flower. Besides, it could look to it every day.
On the other hand, the beautiful flower was sad due to the fact that she was jealous of the beautiful box.
Every day, the flower looked down to the box and feels bad, because she felts uglier.
But, one day, a little girl came by and took the box away.
At first, the flower was very happy for being the most beautiful thing in the attic.
Only later, it realised that missed more the box company despite of being the most beautiful thing.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A Cadeira de Baloiço


Cena 1
Exterior / Noite – Coimbra / Casa

Estamos em meados de Maio, o tempo é ameno mas incerto. É noite de lua nova, deixando o céu aberto e extremamente estrelado. A cidade de Coimbra parece uma cidade fantasma, não se vê, nem ouve ninguém. Apenas a suave brisa nocturna, e o camião da recolha do lixo que passa na Av. Dias da Silva, todas as noite aquela hora, com um barulho refilão de um motor velho e cansado. Como sempre o camião pára ao lado da bela sebe verde e bem tratada que contorna o terreno da Quinta de São Jerónimo. Da rua pouco se vê a casa, apesar de o portão ser feito de varas de ferro, toda a casa é tapada por um vasto terreno repleto e árvores. Mas, para lá dessas árvores, há um bonito relvado percorrido pelas mais belas flores e sons da natureza que contorna a casa. A casa da alegria, é uma vivenda de dois andares de planta quadrada e está pintada segundo a tradição portuguesa: caiada, com portadas verdes e rodapé amarelo-torrado. A casa é circundada por um alpendre e a fachada poente é percorrida por varandas cheias de plantas bem arranjadas.

Cena 2
Interior / Noite – Quarto, escadaria e hall

No quarto, Dona Teresa dorme sossegada, virada para o lado da cama onde o seu falecido marido costumava dormir. O quarto é grande, bem decorado com a cama de dossel ao meio, à direita um roupeiro muito alto de madeira escura com duas portas e três gavetas. Tanto as mesas-de-cabeceira que ladeiam a cama, como a cómoda em frente, condizem perfeitamente com o roupeiro. E do lado esquerdo do quarto, ao centro da parede, uma enorme janela com uma varanda com bonitas plantas e duas cadeiras. Nisto, Dona Teresa acorda sobressaltada com a bela melodia da harmónica do seu falecido marido, desce as escadas rangentes até ao hall e segue até ao alpendre.

Cena 1 a)
Exterior / Madrugada – Alpendre

Os gatos vadios saltam a sebe que rodeia a casa e correm pelo relvado sob o céu estrelado. A noite é meigamente embalada pela pequena brisa que percorre o ar e agita as folhas das árvores provocando um barulhinho aconchegante. Dona Teresa, nas suas vestes de dormir, abre a porta e ao sentir aquele ar fresco da noite aconchega-se nas suas leves e brancas roupas, que brincam com o vento em torno das suas pernas nuas. Cruza os braços de modo a aquecer-se e senta-se no banco ao lado da cadeira de baloiço vazia, que, empurrada pelo vento, baloiça suavemente provocando um “toque – toque” na madeira. Dona Teresa olha em frente com um olhar vazio, mas a sua expressão é de calma e serenidade e até um pouco de felicidade. Dona Teresa sente-se bem ali, preenchida, acompanhada. Respira calmamente, e do mesmo modo se vira para a cadeira de baloiço que se encontra à sua esquerda.

Dona Teresa
(vira-se para a cadeira de baloiço e enrola-se na manta que está pousada ao seu lado)
Não consegues dormir, meu querido?

Dona Teresa
(agora, outra vez voltada para o terreno que rodeia a sua casa)
Está uma noite muito bonita. A lua já vai baixa, já deve ser tarde.

Dona Teresa
(apontando para um gata que percorre o relvado de um lado ao outro)
Olha! Estás a ver aquela gatinha? Já teve filhotes outra vez! Pariu na passada Terça-feira, dez criaturinhas adoráveis. Quatro fêmeas e seis machos.

O sol já começara a nascer quando Dona Teresa acaba por adormecer ali mesmo, na companhia da memória do seu falecido marido.

Cena 2 a)
Interior / Manhã – Hall

O hall é a zona mais despida da casa. Tem um tapete de Arraiolos no chão e do lado esquerdo da porta uma escrivaninha e do lado direito um bengaleiro. Em frente, à esquerda uma escadaria e por debaixo dela, em frente à porta principal, a entrada para a sala. Finalmente, do lado direito à porta de entrada, a cozinha, de onde vem uma barulheira insuportável. Ouve-se assobio da chaleira, as torradas a saltarem, a loiça e os talheres a tocarem uns nos outros e na bancada. Depois o tremelique das loiças e dos talheres sobre o tabuleiro carregado pela Dona Teresa, senhora de idade avançada e como tal já com falta de força.
Mas, todas as manhãs Dona Teresa faz o mesmo. Atravessa o hall de entrada em direcção à porta, transportando um tabuleiro com duas chávenas de chá, açúcar, leite, duas torradas com doce e o jornal.

Cena 1 b)
Exterior / Fim da manhã – Alpendre

O sol vai subindo e as sombras diminuindo. Está um dia de verão quente e sem uma única nuvem. A luz é intensa e faz com que as flores desabrochem e se voltem para o sol. As folhas das árvores assim como a relva, mais verdes que nunca, brilham loucamente. As paredes caiadas da casa reflectem a luz do sol, fazendo a casa parecer maior e mais bonita, de tão brilhante que fica. O ar é perfumado e ligeiro, ecoa o grasnar dos patos que nadam no lago ligeiramente tapado pelas árvores do lado esquerdo do casarão. O alpendre é todo feito de madeira, o chão é percorrido por tacos bem encerados. Sobre este estão duas mesinhas de café, uma em cada lado da porta de entrada. Do lado esquerdo, essa mesinha é rodeada por um banco encostado à parede e mais à esquerda uma cadeira de baloiço. Em cima dessa mesa de café está, desde sempre, a caixinha do tabaco do senhor Manuel, o seu cachimbo, os seus fósforos e tantas, dos mas diferentes feitios e tamanhos, chávenas de café e chá e algumas canecas. Debaixo da mesa, estão dezenas de jornais, uns mais recentes outros mais antigos, abandonados e intocados deixados por Dona Teresa presa na própria senilidade. Mais uma vez, Dona Teresa empurra a porta que tinha deixado encostada e passa fazendo um último esforço para aguentar com o tabuleiro. O espaço para pousar-lo em cima da mesinha de café é nulo ou inexistente, de modo que Dona Teresa decide pousado em cima do banco e por só a loiça em cima da mesa. Dona Teresa toma ali o seu pequeno almoço pousa o jornal num novo monte debaixo da mesa, sorri com suspiro de “tarefa cumprida” e fica ali presa em recordações com um olhar vago e perdido entre flores, árvores e sebes.

Cena 1 c)
Exterior / Início da manhã – Alpendre

O Inverno chega e com ele traz o frio. Estamos em Janeiro, as belas árvores de outrora estão agora nuas, fracas e sem graça. A relva luta para permanecer verde e saudável, mas é uma luta ingrata e invencível. Apenas a sebe permanece imaculada aos estrados daquela dura estação. A casa está coberta um espesso nevoeiro que não deixa passar nem um raio de luz. Parece agora bastante mais velha e desgastada. O branco das paredes parece cinzento e o verde e o amarelo da decoração pouco ou nada se destacam pois também estes se tornaram em tons acinzentados. A chuva é grossa e abafa os outros sons da natureza. Raramente pára e como seu companheiro de festas vem sempre o vento. Um vento forte que mexe com tudo e todos. As portadas batem com força, as plantas nas varandas lutam todos os dias pela sua sobrevivência, as poucas folhas que ainda restam nas árvores são arrancadas à força como todas as outras. No alpendre a cadeira de baloiço baloiça mais rápido que nunca, e as páginas dos jornais debaixo da mesa de café abrem e fecham batendo umas nas outras. Como todas as manhãs Dona Teresa empurra a porta com o tabuleiro a tremer, pousa-o no banco por falta de espaço da mesa. Onde, pousa a chávena do seu marido e a caneca de leite e tome o seu pequeno-almoço. Os guardanapos voam naquele vendaval mas Dona Teresa não reage enrosca-se na manta e continua a tomar o seu pequeno-almoço, perdida em pensamentos e recordações. Nisto, entra um carro pelo portão que chia mais alto que o ruído da chuva. Dona Teresa lentamente olha para a entrada dos carros. Um carro preto e pequeno vai percorrendo a estrada de terra toda enlameada. O barulho do motor e dos limpa vidros mal se ouvem debaixo de tanta chuva. O carro pára, um guarda-chuva vermelho escuro abre-se e de dentro do carro sai uma senhora magra e muito bonita. A senhora corre chapinhando na lama, até ao alpendre onde cumprimenta Dona Teresa. Depois abraça-a com muito carinho. Ajuda-a a levantar-se e leva-a para dentro.

Cena 1 d)
Exterior / Antes de almoço – Alpendre

Mãe e filha saem de casa. A Beatriz carrega três malas, cada uma maior que a outra e Dona Teresa leva apenas a sua necessaire, a sua carteira e o guarda-chuva. As duas, bem agasalhadas, dirigem-se para o carro e guardam as malas apressadamente. Beatriz ajuda a mãe a entrar no carro e entra também. O carro começa a andar e mais uma vez o portão abre e fecha chiando muito alto. O chiar do portão é como um gemido, uma tristeza enorme percorre o terreno, a chuva permanece, o céu fica cada vez mais escuro e as árvores cada vez mais fracas e nuas. As portadas batem e as plantas das varandas morrem pouco a pouco. No alpendre, os jornais começam a voar, a loiça a dançar e a cadeira de baloiço a baloiçar num frenesim.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Then share with me your secrets and all...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

décima oitava história
Vou falar-vos de uma menina. Esta menina, possuía uma característica muito particular, pois não era que não conseguia amar.
Na escola aprendera como funcionava o corpo humano por dentro, mas esta menina era peculiar, pois no sítio do coração tinha um buracão. E no sitio lógico, um cérebro em forma de coração, feito de entranhas entrelaçadas como cordão.
Desenganem-se aqueles que pensam que tal rapariga tinha noção de sua diferença, porque esta rapariga tão disforme vivera sempre na escuridão.

Certo dia, a criatura conhece um rapaz, aproxima-se dele na ironia de fugir da solidão. Mesmo sem coração, algo diz à rapariga, que aquela amizade vale ouro, e do mesmo modo, reluzem os seus olhos na presença do rapaz. Esta amizade vai crescendo, cresce em conversas sussurradas debaixo de um lençol de estrelas, cresce em segredos confessados nos becos de um vila perdida no tempo e no espaço. Ficaram próximos, muito próximos.
Tão próximos que toda a esta história criou um grande embaraço no seu cérebro. O seu cérebro-coração, palpitava ferozmente, atordoado pelas próprias cordas que o formavam. Isto era de tal forma violento que a rapariga ficava totalmente abalada e acabava por se afastar do rapaz.
Nisto, o tempo foi passando, por vezes mais próximos por outras menos próximos. De modo, que aos poucos a rapariga foi compreendendo que talvez não fosse igual a todas as pessoas, talvez tivesse algo a preencher, algo vazio, que não conseguia compreender.

Finalmente a rapariga, aventura-se então em busca dessa coisa que lhe faltava, sentia que o rapaz estava de alguma forma metido na história, e estava fora de questão que ficasse fora da sua vida. Aproxima-se dele, e fica contente com a sua opção, algo por dentro lhe dizia que estava perto do coração. Os nós entrelaçados da sua cabeça aos poucos desfaziam-se e com grande suavidade iam enchendo o buraco no seu coração.
Mas, a rapariga mal habituada a não saber amar, agora que para lá caminhava, não sabe como amar. Em êxtase, de flores, borboletas e cores, a criatura, já menos disforme, acaba por se encontrar numa encruzilhada do coração, dividida entre sentimento e emoção. Deixou-se levar pela atracção, trocou o rapaz pelo fogo de artifício, brilhante e deslumbrante, mas como todos sabem efémero.
Tal qual um boomerang, todo o cordel lindamente arranjado e encaixado no buraco no peito da menina, subiu velozmente ao cérebro da mesma, entrelaçando-a e envolvendo-lhe todos os pensamentos num emaranhado tremendo.

Depois desta confusão, menina voltou para o rapaz, mas o seu buraco nunca ficou tão cheio como outrora. E mais uma vez, menina despassarada, fica entrelaçada noutro fogo de artificio, mas este brilha e deslumbra e enfeitiça a menina, por pouco tempo, porque mal ela se aproxima, vê que as sua cores são feias ao perto, e as formas não a atraem. E com esta aventura, a menina perde todo o resto de cordel que lhe enchia o coração, e destroçada, olha para trás, e vê o cordel como que lhe indicando o caminho, até ao outro rapaz. Segue o cordel, mas este acaba onde os dois estiveram juntos da última vez. O rapaz já lá não estava, desta vez, não esperara por ela.

A rapariga triste e amargurada, permanecera ainda no fim do cordel, ficara imóvel como que esperando por ele. Seu buraco vazio no peito sufocava-a de dor, e parecia que ficava cada vez maior. A rapariga chorava pelo seu amigo, pois quando as pessoas não tem coração e não sabem o que é amar, conhecem de outro modo amizade, dando extrema importância, e percebendo e ela sim é a base de todos os outros sentimentos. E ao aperceber-se disto, sorriu, e tapou com as suas mãos o buraco que tinha no peito, que milagrosamente este preencheu-se e encheu-se de alegria e esperança e certeza que aquele rapaz que ela deixara ali, era importante para si.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Spider-Pig, Spider-Pig. Does whatever a Spider-Pig does. Can he swing from a web? No he can't, cause he's a pig. Look out! He is the Spider-Pig!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Vôou, sumiu pelo mundo.

Quando tudo o que damos por certo se desmorona a nossos pés, e toda a nossa vida organizada nos envolve de tal maneira que ficamos presos na sua teia. Quando a vida nos prega uma partida e nos vira de cabeça para baixo. Talvez para vermos os problemas de outra prespectiva ou até para nos ridicularizar perante a nossa alma que continua imune e sempre no sitio. Quando nos voltamos de cabeça para cima, pairamos perdidos, tontos como se tudo estivesse desarrumado. Aí temos apenas duas hipoteses arrumar, ou mudar e comçear outra teia mais ou lado.
Acho que construi uma nova, de certa forma apoiada na velha, pois precisava de técnicas usadas nesta para construir uma nova. Para esta teia comprei fio mais forte e certifiquei-me que nao havia fio solto ou froucho. Mas quando me vi tão segura nesta nova teia veio uma lufada de ar quente vindo do sul, que abanou abanou e abalou a minha teia. Precisei de reforços rápidos e eficázes. E ao que parecia, eles estavam mesmo em baixo, peguei num fio solto da teia anterior e fortifiquei um dos fios na teia posterior. Este fio velho e viciado, era muito mal comportado e nao se queria manter no sitio, puxava e repuxava, de vez em quando lá acalmava mas nunca se conformava.
Foi aí então que decidi retirar o fio velho e tingir a teia das cores do arco iris, depois puxei uma pontinha e comecei a enrolar-me em todo o fio, e no fim tinha-o tao entrelaçado em mim que se foi entranhado chegando mesmo, a proteger-me, de certa forma. Aí tornei-me nómada, independente do local da teia, porque agora era eu propria a minha teia.

Uma mulher cigana.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Décima sétima história

Vou falar-vos de um bairro, no coração de Lisboa que muitos desconhecem. É um bairro pacato, como tantos outros mas que pela calada, como já Gil Vicente fazia, criticava a sociedade. Ora então este belo bairro, que emoldura a Alameda, chama-se Bairro dos Actores. Muitos podem pensar que seu nome vem das ruas que numa homenagem a actores famoso têm os seus nomes. Mas desenganem-se. Eu, Sr. João Cardoso, conheço a magia deste bairro. Ele critica os actores que aqui vivem. Não os actores profissionais, os actores natos. Pessoas que passam por nós no dia-a-dia e nem ligamos, mas que no fundo são grandes detentoras de poder de persuasão. Actores que representam amizades como ninguém. Actores que representam grandes amores por grandes fortunas. Que representam grande inteligência por grandes cargos em grandes empresas. Enfim, actores como os que há no mundo inteiro.
Kika, acordara naquele dia igual aos outros, no seu apartamento T2 na rua actor Isidoro. Tinha prometido a si mesmo que ia mudar de vida. E decidiu que ia ser naquele dia. Pegou no dinheiro que havera lucrado na ultima noite e saiu. Entrou no metro da alameda e saiu nos restauradores. No fim da tarde já tinha duas toelletes chiques. A primeira parte do seu plano estava acabada, só faltava infiltrar-se "naquela sociedade". Uma semana depois estava noiva do filho do embaixador e em dois anos rica. Mas embora trata-se a vida e o dinheiro por tu; ao amor nem lhe falava. Tinha medo do amor.
Cátia dos Santos dos santos, era também uma actriz nata, embora muito nova já dominava bem este mundo. Cátia em casa e Carolina na escola, eram duas pessoas completamente diferentes. Cátia acordava todos os dias bem cedo, fazia o primeiro turno no mercado, ajudava a mãe quando podia. Depois, ia a correr para casa tomava banho e tirava de debaixo da cama a sua caixinha dos tesouros. Lá dentro tinha roupas que roubava dos estendais baixos ao vir para casa. Já vestida era Carolina Telles, uma menina de boas famílias que estudava pelo primeiro ano em Lisboa. Tudo isto era mentira, Cátia já andava naquela escola há quatro anos, mas sem aquelas roupas parecia que era só mais uma sombra que passava.

quinta-feira, outubro 04, 2007

(visto que o vencedor é o concorrente A, vamos la trabalhar)

décima sexta história

No cemitério, Gaspar corria como o vento. Colina a cima, colina a baixo. Não se ouvia barulho algum, apenas o barulho das suas passadas e de vez em quando o ruído do seu pé pisando as folhas secas que o Outono roubava as árvores.
A Primavera já ia longe e com ela a sua felicidade. Daí em diante só tristeza e saudade. Avó Laura partira em Abril, Gaspar não percebera bem porquê. Esta incompreensão touxera-lhe primeiro a impressão de que nada daquilo era real. Morte. Fim. Saudade. Soavam-lhe como palavras soltas em luto. Depois, o tomar de consciência, o vazio. A tamanha tristeza que se formara mais tarde em fúria e revolta. Nisto chega e passa o Verão, mais calmo, Gaspar, estagna no cais de Setembro, onde navega num turbilhão de emoções contrastantes. Nos momentos de enorme tristeza sentava-se junto à janela a olhar as marés vivas esperando pela arrasadora maré alta.
Até que um dia, com o cair da primeira folha, Gaspar limpa as lágrimas e uma nova esperança percorre-lhe o corpo deixando um sorriso. Sua mãe, Esperanza, farta de ver o seu filho em pranto diz-lhe que Laura, voava sobre o Alto de São João no vento de Outono.
No cemitério, Gaspar corria como o vento. Colina a cima, colina a baixo. Não se ouvia barulho algum, apenas o barulho das suas passadas e de vez em quando o ruído do seu pé pisando as folhas secas que o Outono roubava as árvores.

terça-feira, outubro 02, 2007

"Se a minha casa fosse feita de chocolate eu seria uma sem-abrigo."
anónima